A reunião com o cliente começa a azedar. Você mostra ótimos gráficos de tráfego, mas o faturamento dele não cresceu. E então, a frase temida é dita: “Acho que os leads não são qualificados”. Para uma agência, esse é o sinal vermelho de que é hora de ir além do marketing e realizar um diagnóstico do processo de vendas do cliente. Este guia é a ferramenta para fazer exatamente isso, transformando a conversa de culpa em uma análise estratégica.
Nesse momento, 99% das agências entram na defensiva. Começam a justificar o CPL, mostrar o CTR, defender o próprio trabalho. É uma batalha de argumentação que, mesmo que você vença, você perde. Porque a partir daquele ponto, a relação de parceria foi substituída por uma de desconfiança.
Este guia é a sua virada de jogo. Não é um artigo teórico, é um roteiro de ação. Uma ferramenta para você parar de se defender e assumir o controle, transformando uma conversa sobre custos em uma consultoria sobre crescimento. Use-o na sua próxima reunião para encontrar os verdadeiros gargalos do seu cliente e se posicionar como o parceiro mais valioso que ele tem.
A Preparação para o Diagnóstico do Processo de Vendas

Antes de fazer a primeira pergunta do nosso roteiro, sua mentalidade precisa passar por uma transformação fundamental. Você não está lá para se justificar. Você está lá para investigar, como um detetive que chega à cena de um crime. Seu cliente, embora seja o dono do negócio, muitas vezes não tem as respostas; se tivesse, não teria o problema. Sua arma secreta, portanto, não é a defesa, mas a pergunta certa, feita da maneira certa.
A postura correta é a de um médico consultor. Você não questiona o paciente, você o examina para encontrar a doença. A abordagem na prática soa assim:
Sua fala: “Fulano, os números do marketing estão indicando um bom volume de oportunidades, mas o que realmente importa é a venda no final do dia. Estou comprometido com o seu crescimento, e para te ajudar a vender mais, preciso entender em detalhes o que acontece depois que o lead chega até vocês. Podemos mapear esse processo juntos? Quero encontrar os pontos onde podemos otimizar para gerar mais receita com os leads que já temos.”
Percebe a mudança? Você acabou de mudar o frame da conversa. A reunião não é mais sobre a qualidade do seu trabalho, é sobre a otimização do processo dele. Você se posicionou como um aliado na busca pelo resultado final, e é desse ponto que partimos para a investigação.
O Roteiro de Diagnóstico: 5 Frentes de Investigação
Agora, com a postura correta, você inicia o roteiro prático para o seu diagnóstico do processo de vendas. Cada passo abaixo é uma frente de investigação que vai expor as rachaduras no processo comercial do seu cliente.
1. A Velocidade do Ataque: Onde a Oportunidade Morre
Um lead é um ativo com uma taxa de depreciação altíssima. Como um sorvete no sol, ele derrete rápido. Estudos da Harvard Business Review mostram que empresas que contatam um lead em até 1 hora têm 7 vezes mais chances de qualificá-lo do que aquelas que demoram 2 horas, e 60 vezes mais do que as que demoram 24 horas. O tempo é, literalmente, dinheiro.
Pergunte, com um bloco de notas na mão, como um engenheiro mapeando um fluxo:
- “Vamos fazer uma simulação em tempo real. Um lead preenche o formulário no site agora. Qual o processo exato? Uma notificação apita no celular de alguém? Um e-mail é disparado para uma caixa de entrada geral? Quem é o responsável por pegar essa ‘batata quente’?”
- “Na prática, sendo brutalmente honesto, qual o tempo médio até o primeiro ‘alô’ ser dito? Estamos falando de minutos, horas, ou às vezes, até o dia seguinte?”
- “E se o lead não atende na primeira tentativa? Qual é o protocolo? Existe um número padrão de retentativas? Por exemplo, ‘tentamos 5 vezes em 3 dias diferentes’. Ou isso fica a critério do vendedor?”
- “Essas tentativas usam canais diferentes? Vocês alternam entre ligação, WhatsApp e e-mail para aumentar as chances de contato?”
O que você está procurando aqui: O “tempo morto” e a falta de um SLA (Service Level Agreement) de resposta. Cada hora que um lead espera é uma porcentagem da chance de venda que é incinerada. A ausência de um processo claro e persistente de retentativa é um dos maiores e mais invisíveis ralos de dinheiro em qualquer operação comercial. A resposta “fica a critério do vendedor” é um sinal vermelho gigante de que não existe um processo.
2. O Arsenal do Vendedor: Planilha de Excel vs. Ferramentas de Guerra
Um time de vendas gerenciando leads em uma planilha de Excel é o equivalente a um exército medieval tentando lutar contra um tanque de guerra. Ele pode ter boa vontade e coragem, mas a ferramenta define drasticamente sua eficiência e capacidade de vencer.
Investigue o arsenal com o qual eles lutam todos os dias:
- “Me mostre, visualmente, como vocês organizam e enxergam todos os leads que estão em negociação agora. É um CRM com um funil visual, uma planilha compartilhada, um caderno?”
- “Como um vendedor decide quais leads priorizar no início do dia? Existe alguma pontuação (lead scoring) ou um critério claro, como ‘falar primeiro com quem pediu proposta ontem’?”
- “Se um lead que foi contatado há 3 meses volta a interagir hoje, quão fácil é para o vendedor acessar todo o histórico dessa conversa? Ele sabe o que foi prometido, quais foram as objeções, por que a venda não avançou da última vez?”
- “Como o gestor acompanha o que está acontecendo? Ele consegue ver facilmente o número de atividades de cada vendedor, o status de cada negociação, ou ele precisa perguntar um por um?”
O que você está procurando aqui: Falta de inteligência de dados e organização. Planilhas são ferramentas passivas. Elas não gerenciam follow-ups de forma automática, não criam lembretes, não fornecem relatórios com um clique e, o mais grave, não centralizam o histórico. Elas são um sinal claro de um processo amador e um convite para que oportunidades valiosas se percam em meio ao caos.
3. A Conversa Real: A Verdade que Mora nas Gravações
O que os vendedores *dizem* que fazem em uma reunião e o que eles realmente fazem no calor de uma ligação são dois universos completamente diferentes. A única forma de saber a verdade sobre a qualidade da abordagem é ouvindo as conversas. Essa é a “caixa-preta” do avião; é onde todas as respostas sobre o sucesso ou fracasso estão.
Peça para abrir a caixa-preta com a postura de um parceiro:
- “Vocês por acaso gravam alguma ligação de vendas? Gostaria muito de ouvir uma ou duas com você. Meu objetivo não é julgar o vendedor, de forma alguma, mas sim entender o perfil do cliente, como ele fala, o que ele pergunta. Isso me ajuda até a refinar a comunicação no marketing.” (A forma como você pede é 90% da batalha).
- “Independentemente de ter gravação, quais são as duas ou três desculpas ou objeções que vocês mais ouvem? ‘Está caro’, ‘Vou falar com meu sócio’, ‘Vou pensar’… E qual é a resposta ‘padrão’ que o time costuma dar para elas?”
- “Existe um roteiro de qualificação? Ou seja, uma sequência de perguntas-chave para separar quem tem real potencial de compra de quem é apenas um curioso? Como vocês decidem para quem vale a pena enviar uma proposta?”
O que você está procurando aqui: Falta de padronização e técnica. Se cada vendedor responde às objeções de um jeito diferente, baseado no “feeling”, você não tem um processo de vendas, tem o caos. Se não há um roteiro de qualificação, o tempo do time está sendo gasto com leads que nunca vão comprar. Se não há gravações, a gestão está completamente cega, gerenciando apenas a percepção, não a realidade.
4. Os Rituais de Performance: A Cadência que Constrói um Time

Times de vendas de elite operam com rituais. São as reuniões, as metas claras e os ciclos de feedback que transformam um grupo de indivíduos talentosos em uma unidade de alta performance. Um time sem rituais é apenas um grupo de pessoas trabalhando sozinhas no mesmo espaço.
Entenda a dinâmica e a cultura da equipe:
- “Existe uma reunião fixa na agenda da semana para falar exclusivamente de vendas? Qual a frequência? O que é discutido nela? É só para cobrar resultados ou também para treinar e traçar estratégias?”
- “Como as metas são definidas e comunicadas? São metas apenas de faturamento final ou vocês têm metas de atividade, como número de ligações ou propostas enviadas?”
- “Como um vendedor que está com dificuldade em uma negociação importante pede ajuda? Existe um processo formal para isso, como uma ‘reunião de estratégia de conta’, ou ele simplesmente se vira sozinho?”
- “Como o sucesso é celebrado? E como o baixo desempenho é tratado? Existe feedback construtivo?”
O que você está procurando aqui: Ausência de uma cultura de gestão e coaching. Se não há rituais, não há gestão de performance. Cada vendedor está operando em uma ilha, aprendendo apenas com os próprios erros. A melhoria do time como um todo se torna lenta, dolorosa e, na maioria das vezes, impossível. A falta de rituais é um sintoma de uma liderança comercial ausente ou sobrecarregada.
5. As Métricas de Causa e Efeito: O Placar Real do Jogo
Para finalizar o diagnóstico, você precisa de números. Números ancoram a discussão em fatos e tiram a subjetividade da mesa. Mas esqueça os dashboards complexos com dezenas de gráficos. Você precisa de 3 métricas de transição que contam 90% da história.
Calcule a matemática do funil junto com o cliente:
- “Ok, vamos pegar os números do mês passado. Dos 100 leads que a agência enviou, com quantos vocês de fato conseguiram iniciar uma conversa por telefone ou WhatsApp?” (Isso mede a Taxa de Contato, a eficiência da primeira ponte).
- “Ótimo. Dessas, digamos, 40 conversas iniciadas, quantas avançaram para uma demonstração, uma visita ou o envio de uma proposta formal?” (Isso mede a Taxa de Qualificação, a eficiência em separar o joio do trigo).
- “Perfeito. E dessas, digamos, 15 propostas enviadas, quantas se tornaram vendas fechadas?” (Isso mede a Taxa de Fechamento, a eficiência na etapa final).
O que você está procurando aqui: O gargalo matemático. Ao calcular essas três taxas de conversão, você verá claramente em qual etapa o processo está quebrando. Se a Taxa de Contato é baixa, o problema é de velocidade e processo de abordagem. Se a Taxa de Qualificação é baixa, o problema é de técnica e script. Se a Taxa de Fechamento é baixa, o problema é na negociação e na proposta de valor. O número aponta o local exato do incêndio.
O Diagnóstico está Pronto. E agora?
Ao final deste roteiro, o cenário estará claro. Você não terá mais uma lista de desculpas, mas um relatório de diagnóstico. Você terá dados. Você terá a causa raiz do problema. A conversa, que começou com “leads ruins”, agora tem um novo centro de gravidade.
Sua conclusão para o cliente, apresentada de forma calma e consultiva, será algo como:
“Olha, o que descobrimos juntos foi muito valioso. A análise mostra que nosso maior desafio não está na qualidade do interesse que geramos, mas na eficiência do nosso processo em capitalizar esse interesse. Vimos que nossa Taxa de Contato está em 30%, o que significa que 70% dos leads pelos quais pagamos nem sequer chegam a ser abordados de forma eficaz. Meu marketing está colocando a bola na pequena área, mas não temos um processo estruturado para garantir que alguém esteja sempre lá para chutar. Acredito que, se focarmos em ajustar esse processo de abordagem e qualificação, podemos dobrar o resultado de vendas sem investir um real a mais em anúncios. Faz sentido?”
Você não é mais o fornecedor se defendendo. Você é o parceiro estratégico que encontrou o principal vazamento de dinheiro no negócio dele. Agora, a conversa não é mais sobre o seu preço. É sobre o valor inestimável da sua parceria.
FAQ: Perguntas que Vão Surgir na sua Cabeça
1. E se o meu cliente ficar na defensiva ou não quiser compartilhar as informações?
Se isso acontecer, é um sintoma poderoso. A resistência em compartilhar dados geralmente indica duas coisas: ou ele não tem os dados e tem vergonha de admitir, ou ele sabe que o processo é falho e não quer que isso seja exposto. Em ambos os casos, sua abordagem deve ser a mesma: reforce a parceria. Diga: “Entendo perfeitamente. Meu único objetivo aqui é te ajudar a vender mais. Sem entender o que acontece hoje, fico de mãos atadas para otimizar o marketing. Que tal começarmos apenas com um dado, o mais fácil de pegar? Assim damos o primeiro passo juntos.”
2. Isso não é trabalho do gestor de vendas do cliente? Não estou passando dos meus limites?
Em um mundo ideal, sim. Na realidade das PMEs, o “gestor de vendas” é muitas vezes o próprio dono, que está sobrecarregado com outras mil funções. Ao tomar a iniciativa, você não está passando dos limites, está demonstrando um nível de parceria que nenhum outro fornecedor tem. Você está se tornando insubstituível. Lembre-se, o seu contrato depende do resultado que o cliente tem. Garantir que o processo de vendas dele funcione é, em última instância, uma forma de proteger o seu próprio negócio.
3. Ok, eu fiz o diagnóstico e encontrei os problemas. Mas eu não sou especialista em vendas. Como eu ajudo a resolver?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares e o ponto onde a maioria das agências trava. E a resposta é: você não precisa ser o especialista em tudo. Seu papel como “médico” é fazer o diagnóstico preciso. Para o “tratamento”, você pode e deve contar com especialistas. Reconhecer seus limites e trazer um parceiro para resolver o problema que você diagnosticou não é um sinal de fraqueza, mas de maturidade estratégica. É aqui que um parceiro como o Sales Partner entra.
Como o Sales Partner Entra Nesse Jogo
Após conduzir o diagnóstico, você terá um mapa claro dos problemas: falta de processo, ausência de ferramentas, time sem treinamento, gestão inexistente. Tentar resolver isso sozinho, sendo uma agência de marketing, é como um clínico geral tentando fazer uma cirurgia cardíaca. É arriscado e fora da sua especialidade.
O Sales Partner foi desenhado para ser o “time de especialistas” que a sua agência pluga no cliente para executar o tratamento.
- Foco no seu Core Business: Você continua fazendo o que faz de melhor: gerar demanda e oportunidades. Nós assumimos a responsabilidade de construir o processo e treinar o time do cliente para converter essas oportunidades em receita.
- Uma Nova Linha de Receita: Você não apenas indica um parceiro. Você pode revender a solução do Sales Partner, adicionando-a ao seu contrato. Isso cria uma nova fonte de receita recorrente para sua agência, com margens saudáveis e sem aumentar sua carga operacional.
- Blindagem Definitiva de Contratos: Ao resolver a causa raiz do problema de vendas do cliente, a conversa sobre “leads ruins” morre para sempre. O cliente passa a enxergar sua agência como a fonte do crescimento do negócio dele, e não apenas como um custo de marketing. O churn se torna uma preocupação do passado.
Ao usar este guia, você não apenas resolve a objeção do seu cliente. Você abre a porta para uma parceria mais profunda, mais lucrativa e infinitamente mais estratégica. Você deixa de vender marketing e passa a vender crescimento.








